El Niño 2026: perigos para o Brasil e impactos internacionais
Imagem de satélite mostrando a diferença em relação à temperatura média da superfície do mar na região do equador, no Oceano Pacífico tropical, durante a primeira semana de junho de 2026, em comparação com a linha de base utilizada pelo NOAA Coral Reef Watch. (Foto: NOAA Satellites)1
INTRODUÇÃO
“Eu me considero uma refugiada climática”. Foi assim que a gaúcha Renata de Brito definiu sua situação em entrevista à BBC News Brasil, ao relatar o trauma vivido após as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024. O desastre deixou 185 mortos, 23 desaparecidos e centenas de milhares de pessoas desalojadas (Tavares; Otto, 2026). Este episódio tornou-se um marco da vulnerabilidade brasileira diante de eventos climáticos extremos e reforçou um debate que, até pouco tempo, parecia distante da realidade nacional.
É nesse contexto de intensificação dos eventos climáticos extremos que se insere a presente discussão. Secas prolongadas, ondas de calor, incêndios florestais e precipitações intensas passaram a ocorrer com maior frequência e intensidade, produzindo consequências ambientais, econômicas e sociais cada vez mais expressivas no Brasil e no mundo.
As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 representam um dos exemplos mais emblemáticos dessa nova realidade. Especialistas apontam que a atuação do fenômeno El Niño contribuiu para criar condições favoráveis à ocorrência de chuvas excepcionalmente intensas no sul do país, e considerando as projeções para 2026, que indicam a possibilidade de um novo episódio de El Niño de maior intensidade do que nos 150 anos anteriores (Haddad, 2026), este artigo tem como objetivo analisar os principais riscos e desafios para o Brasil e potenciais impactos deste fenômeno no cenário internacional.
O EL NIÑO 2026/27
Em maio de 2026, o Centro de Previsão Climática (CPC), ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), elevou para 82% a probabilidade de formação do fenômeno El Niño durante o trimestre entre maio e julho. Desde então, centros meteorológicos nacionais e internacionais passaram a monitorar a evolução do Pacífico Equatorial diante da possibilidade de um novo episódio de grande intensidade (Peixoto, 2026; NOAA, 2026).
Nesse sentido, os últimos eventos ocorreram entre 2015-2016 e 2023-2024, tendo um intervalo de oito anos, enquanto a brecha de tempo desta vez diminuiu para apenas três, que de acordo com o NOAA está dentro da previsão de 2 a 7 anos. No entanto, embora o El Niño seja um fenômeno natural e recorrente, de acordo com o meteorologista Gilvan Sampaio, eles “se tornarão mais frequentes e intensos” (Brasil, 2026).
Em entrevista para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o cientista ajuda a entender um pouco mais sobre o fenômeno e afirma:
O aquecimento global não aquece só a atmosfera, ele aquece também os oceanos. Algumas projeções indicam que, no final do século XXI, teremos um clima semelhante ao El Niño semipermanente, com mais volume de chuvas no Sul e menos no norte e leste da Amazônia e norte do Nordeste. Se você olhar as projeções climáticas para o Brasil, é mais ou menos esse o retrato dessas projeções. (Brasil, 2026)
Em outras palavras, o fenômeno continua sendo natural, mas seus efeitos podem ser potencializados pelas mudanças climáticas. Não se trata de afirmar que o aquecimento global cria o El Niño, e sim que um planeta mais quente oferece condições para que seus impactos sejam mais intensos e mais destrutivos.
Em uma entrevista em maio deste ano ao podcast Café da Manhã, da Folha de S.Paulo, a diretora do Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), Regina Alvalá, ressaltou o que foi divulgado pela nota técnica do instituto: os sinais observados indicam o estabelecimento do fenômeno em 80% e estima-se sua ocorrência possivelmente a partir do trimestre agosto-setembro-outubro com intensidade entre moderada e forte. A pesquisadora também alertou para a necessidade de cautela diante de previsões alarmistas, ressaltando que a intensidade e os impactos do El Niño dependerão da evolução das condições oceânicas e atmosféricas ao longo dos próximos meses (Folha de S.Paulo, 2026).
Segundo Alvalá, como os efeitos do fenômeno tendem a se iniciar na primavera e se estender durante todo o verão do Hemisfério Sul, período que termina apenas em março de 2027, especialistas passaram a denominar esse episódio de El Niño 2026/27. A diretora também enfatizou que, independentemente da intensidade alcançada pelo fenômeno, a adoção de medidas preventivas é fundamental. Enquanto as regiões Centro-Oeste e Nordeste podem enfrentar secas mais severas e aumento do risco de queimadas, o Sul do país permanece mais suscetível à ocorrência de chuvas intensas, enchentes e inundações, exigindo planejamento antecipado por parte dos municípios e dos órgãos de defesa civil (Folha de S.Paulo, 2026). Não há como estabelecer o mínimo de segurança, sem um governo que tenha preparado intervenções para mitigar o problema.
Em junho de 2026, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em parceria com o INPE, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o CEMADEN, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC), publicou o primeiro boletim nacional de monitoramento do El Niño 2026. O documento reúne previsões climáticas, cenários de impacto e orientações para subsidiar ações de prevenção e resposta por parte dos governos federal e estaduais (Brasil, 2026). O boletim está previsto para acontecer todo mês, assim pode-se ter um acompanhamento e estudo do fenômeno e você pode acessá-los pelo site oficial do INMET.
No entanto, apesar desse esforço de monitoramento e planejamento, um levantamento do AdaptaBrasil, trazido pelo Greenpeace, revela um cenário preocupante: dois em cada três municípios brasileiros apresentam baixa ou muito baixa capacidade de adaptação às mudanças climáticas (Haddad, 2026). O diagnóstico evidencia que grande parte das administrações locais ainda enfrenta limitações em infraestrutura, planejamento urbano e gestão de riscos para responder de maneira eficiente aos eventos climáticos extremos. Por isso, medidas de adaptação e prevenção devem deixar de ser tratadas como respostas emergenciais e passar a integrar o planejamento permanente das cidades. Essa preparação pode representar “a diferença entre uma crise gerenciável e uma tragédia anunciada” (Haddad, 2026).
Dessa forma, deve-se compreender que as mudanças climáticas, que antes pareciam que iam afetar em um futuro distante, já se faz presente no cotidiano da população brasileira e mundial.
Nesse contexto, a influência do El Niño se estende por praticamente todos os continentes, alterando regimes de chuva, favorecendo eventos climáticos extremos e afetando desde a produção de alimentos até o comércio internacional. É justamente essa capacidade de provocar impactos em escala global que faz do fenômeno um dos eventos climáticos mais monitorados por cientistas e governos.
O CENÁRIO INTERNACIONAL
Apesar do fenômeno causar a elevação da temperatura das águas do Oceano Pacífico, os países dessa região não são os únicos afetados. De acordo com Gilvan Sampaio, configura-se El Niño quando as temperaturas aumentam e persistem durante alguns meses, porém, não basta apenas o aquecimento do oceano, pois “tem que ter a resposta da atmosfera junto”. Trata-se de um evento que muda a circulação dos ventos que vão de leste a oeste na região da Linha do Equador, fazendo com que eles percam a intensidade. Isso altera o padrão de ventos e formação de chuvas na atmosfera. “É uma mudança total da circulação atmosférica, não apenas nessa região, mas em praticamente todo o globo” (Brasil, 2026).
Nesse contexto, em diversos países, os efeitos se parecem com os do Brasil, como nos Estados Unidos, tendo o Sul com fortes chuvas e possíveis inundações, enquanto o Norte configura-se com secas e possíveis incêndios. A Ásia e a Oceania são extremamente afetadas pelas altas temperaturas e secas, e a Austrália, por exemplo, frequentemente sinaliza casos de incêndios. No Peru e Equador, países em que se encontram no epicentro do fenômeno, as chuvas intensas chegam em toda a costa litorânea e prejudicam a pesca, que para comunidades costeiras são uma fonte de subsistência (Romero, 2024)
A título de curiosidade, é válido mencionar que o nome do fenômeno foi dado pelos pescadores do Peru e Equador que “chamaram a esta presença de águas mais quentes de Corriente de El Niño em referência ao Niño Jesus ou Menino Jesus”, justamente por essas águas mudarem de temperatura perto do Natal (Sampaio, 2001). Mas outro dado que chama a atenção, é dos riscos à saúde causados pelas inundações e as condições de aglomeração que podem aumentar o índice de doenças transmitidas pela água, como dengue, malária e diarreia, além de doenças respiratórias associadas ao clima úmido e frio (Romero, 2024).
Na Índia, justamente pelo o fenômeno modificar o período de monções, a produção agrícola, especialmente do arroz, é afetada e o abastecimento da população prejudicado. Em análise, o Banco Mundial alertou que o El Niño deve ser tão intenso que ele poderá reduzir a produção de arroz entre 20% e 50% nas regiões afetadas (Welle, 2026).
Dessa forma, essas adversidades no clima alteram a produção de alimentos e exportação de commodities, causando o aumento dos preços desses produtos. Marques, Vallejos e Abrão Jr. (2025) destacam que, durante episódios de El Niño, secas severas e chuvas excessivas comprometem significativamente a produção agrícola em diferentes partes do mundo. No caso brasileiro, os autores lembram que o evento de 2015/2016 provocou uma redução de aproximadamente 20% na produção de milho, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), afetando a balança comercial, reduzindo as exportações e elevando os preços internos.
Além disso, a Europa constrói um caso emblemático de como esse evento climático está cada vez mais piorando devido às mudanças climáticas. Segundo a Organização Mundial de Meteorologia (OMM) as ondas de calor recentes têm se destacado não apenas pela intensidade, mas também pela duração e pela abrangência geográfica. Esse padrão climático tem efeitos diretos sobre a saúde pública. Durante ondas de calor intensas, observa-se aumento significativo de internações hospitalares e de mortalidade, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças cardiovasculares e respiratórias. Em países como França e Espanha, autoridades de saúde chegaram a emitir alertas de emergência e a reativar protocolos de proteção civil, incluindo a abertura de centros de resfriamento e restrições a atividades ao ar livre em horários de maior risco (OMM, 2026).
Outra consequência das secas é o baixo nível no reservatório de águas para abastecimento humano e nas hidrelétricas e, como já mencionado, na produção de alimentos. Sob essa lógica, em discurso na Semana do Clima de Londres, o Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres ressalta:
Acabamos de viver os onze anos mais quentes já registrados. Os desastres climáticos estão se tornando mais frequentes, mais destrutivos e mais custosos. E a Organização Meteorológica Mundial alertou que ainda não vimos o pior. O El Niño não está apenas batendo à porta. Ele corre o risco de derrubar a casa. Intensificando o calor. Desestabilizando os sistemas de produção de alimentos e de abastecimento de água. E atingindo com mais força as populações mais vulneráveis. (Tradução nossa, OMM, 2026)

Discurso Especial do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, na Semana do Clima de Londres, em 23 de junho de 2026. (Imagem: ONU Brasil, 2026)2
Na África, os impactos do El Niño tendem a ser ainda mais severos devido à elevada dependência da agricultura e dos recursos naturais para a subsistência da população. Segundo o Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB), um episódio de forte intensidade poderá provocar perdas econômicas entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões, reduzindo em cerca de 1% a 2% o Produto Interno Bruto (PIB) dos países mais afetados (Jessop; Jones, 2026). A agricultura, um dos pilares da economia africana, já registra perdas estimadas em aproximadamente US$ 327 milhões, enquanto o setor pesqueiro poderá sofrer reduções de produtividade entre 1% e 4% em razão do aumento da temperatura dos oceanos e da intensificação de tempestades. Além dos prejuízos diretos à produção de alimentos, secas prolongadas, enchentes e eventos climáticos extremos comprometem a infraestrutura, pressionam as contas públicas e dificultam o crescimento econômico de países que já enfrentam elevados níveis de vulnerabilidade (Jessop; Jones, 2026).
As consequências, entretanto, vão além dos indicadores econômicos. De acordo com Anthony Nyong, diretor de Mudanças Climáticas e Crescimento Verde do Banco Africano de Desenvolvimento, a combinação entre perdas agrícolas, escassez de água e aumento dos preços dos alimentos poderá desencadear uma crise humanitária de grandes proporções. Países como Sudão, Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Somália, Mali, Burundi e Nigéria figuram entre os mais suscetíveis aos impactos do fenômeno, podendo enfrentar deslocamentos populacionais motivados pela insegurança alimentar e pela escassez de recursos. “Quando este El Niño chegar, haverá uma migração em massa. Você não vai permanecer onde está; vai se deslocar”, afirmou Nyong para a CNN Brasil (2026). O especialista também alerta para a chamada “armadilha do financiamento climático”, situação em que governos, diante da insuficiência de recursos para responder aos desastres, são obrigados a remanejar verbas originalmente destinadas à saúde, à educação e à infraestrutura. Nesse cenário, o El Niño deixa de representar apenas um desafio climático e passa a constituir uma ameaça ao desenvolvimento, à estabilidade econômica e à segurança humana em diversas regiões do continente africano.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O El Niño é um fenômeno climático natural que acompanha a história do planeta há milhares de anos. No entanto, os episódios recentes demonstram que seus impactos já não podem ser analisados de forma isolada. Em um contexto de mudanças climáticas provocadas pelas atividades humanas, seus efeitos tendem a ser potencializados, ampliando a ocorrência de secas, enchentes, ondas de calor, incêndios florestais e outros eventos extremos em diferentes regiões do mundo.
Foi possível observar que as consequências do El Niño extrapolam o campo ambiental. A redução da produção agrícola, a elevação dos preços dos alimentos, a escassez hídrica, os prejuízos à geração de energia, os danos à infraestrutura e o aumento da vulnerabilidade social evidenciam que se trata também de um desafio econômico, humanitário e geopolítico. Casos como os registrados na África, na Ásia, na Europa e nas Américas demonstram que nenhum continente permanece completamente imune aos seus efeitos, que ocorrem em um momento de crescente instabilidade global, marcado por conflitos armados, insegurança alimentar, pressões migratórias e disputas por recursos naturais. Nesse contexto, eventos climáticos extremos tendem a intensificar desigualdades já existentes e a impor novos desafios à cooperação internacional.
No Brasil, a experiência das enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 mostrou que eventos climáticos extremos deixaram de representar um risco distante para se tornarem uma realidade concreta. As projeções para o El Niño 2026/27 reforçam a necessidade de planejamento, monitoramento e investimento contínuo em políticas públicas de adaptação e prevenção. Como destacaram especialistas e órgãos oficiais citados ao longo do artigo, reduzir os impactos do fenômeno depende menos da possibilidade de evitá-lo e mais da capacidade dos governos e da sociedade de se prepararem para enfrentá-lo.
Mais do que acompanhar a evolução das temperaturas no Oceano Pacífico, compreender o El Niño significa reconhecer que o clima passou a ocupar um papel central nas discussões sobre desenvolvimento, segurança, economia e relações internacionais. Diante de um planeta cada vez mais quente, a principal questão já não é se estaremos sujeitos aos impactos das mudanças climáticas, mas se seremos capazes de nos preparar para uma realidade em que eventos extremos tendem a se tornar cada vez mais frequentes e intensos.
NOTAS
- Disponível em: https://www.noaa.gov/news-release/el-nino-forms-expected-to-strengthen-say-noaa-forecasters ↩︎
- Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/317946-discurso-especial-do-secret%C3%A1rio-geral-da-onu-sobre-resposta-global-%C3%A0s-crises-clim%C3%A1tica-e ↩︎
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Agricultura e Pecuária. Instituto Nacional de Meteorologia. El Niño 2026: saiba detalhes sobre o monitoramento, previsões e os possíveis impactos do fenômeno no Brasil. Publicado em: 29 jun. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inmet/. Acesso em: 27 jul. 2026.
BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O que precisamos saber sobre o El Niño e seus impactos para o Brasil? Publicado em: 15 maio 2026. Atualizado em: 26 jun. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inpe/pt-br/assuntos/ultimas-noticias/o-que-precisamos-saber-sobre-o-el-nino-e-seus-impactos-para-o-brasil. Acesso em: 26 jul. 2026.
DEUTSCHE WELLE. Combinação de El Niño e guerras pode aumentar preço dos alimentos. 29 jul. 2026. Disponível em: https://www.dw.com/. Acesso em: 29 jul. 2026.
FOLHA DE S.PAULO. O que precisamos saber sobre o El Niño e seus impactos para o Brasil? Café da Manhã. São Paulo: Folha de S.Paulo, 26 maio 2026. Podcast. Disponível em: https://www.folha.uol.com.br/podcasts/. Acesso em: 28 jul. 2026.
HADDAD, Caroline. Super El Niño em 2026: o que esperar e por que precisamos nos preparar. Greenpeace Brasil, 26 maio 2026. Disponível em: https://www.greenpeace.org/brasil/blog/super-el-nino-2026/. Acesso em: 27 jul. 2026.
JESSOP, Simon; JONES, Marc. El Niño causará prejuízo bilionário à África e migração em busca por comida. CNN Brasil, 27 jul. 2026. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/el-nino-causara-prejuizo-bilionario-a-africa-e-migracao-em-busca-por-comida/. Acesso em: 28 jul. 2026.
MARQUES, Ana Leticia Dias; VALLEJOS, Leidy Solange Tarqui; ABRÃO JR., Ali Antonio. O impacto das mudanças climáticas no comércio internacional. EnGeTec em Revista, v. 13, 2025. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.15594937. ISSN 2965-9302. Acesso em: 27 jul. 2026.
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